Carregadores de carro elétrico para o setor público

Uma rede municipal de carregamento não se julga no dia em que se inaugura, mas três anos depois: por quantos pontos continuam a funcionar. Tratamos da instalação e também de que continuem operacionais.

O problema das redes municipais não é instalá-las

Há bastantes municípios em Espanha com postos de carregamento instalados e fora de serviço. Não é uma falha dos equipamentos: é que o contrato terminava na instalação.

Um ponto na via pública está ao relento, exposto a pancadas e a vandalismo, e a sua ligação cai como a de qualquer equipamento ligado. Se ninguém monitoriza, ninguém dá por isso até que um morador se queixe. E se o caderno de encargos não previu quem opera, quem cobra e quem repara, não há a quem reclamar.

O resultado é pior do que não ter instalado: infraestrutura pública visível e não operacional, que é exatamente a mensagem contrária àquela que o investimento queria dar.

Instalação, operação e disponibilidade, no mesmo contrato

  • Estudo de localizações

    Onde faz sentido pôr pontos consoante os usos do solo, a rede elétrica disponível e a procura real, não apenas onde há espaço.

  • Tramitação completa

    Acesso e ligação com o operador de rede, legalização e articulação com os serviços técnicos municipais.

  • Instalação na via pública e em parque municipal

    Com a sinalética, a acessibilidade e a proteção que o uso público exige.

  • Operação e faturação

    Tarifas, cobrança ao cidadão, itinerância e liquidação ao município. Sem encargos administrativos para a autarquia.

  • Disponibilidade com compromisso

    Monitorização e níveis de serviço, com relatório periódico de disponibilidade real por ponto.

  • Documentação para a justificação

    Os dados que a justificação do apoio exige, no formato necessário.

Três decisões próprias de uma rede municipal

Via pública e parque municipal não são o mesmo projeto

Um ponto em parque municipal está protegido, tem fornecimento próximo e controlo de acesso. Um na via pública está exposto, muitas vezes exige ligação própria e ocupa domínio público, com o que isso implica em tramitação e em sinalética.

Convém não os tratar como uma só rubrica do caderno de encargos: os custos, os prazos e os riscos são diferentes.

A disponibilidade devia estar no caderno de encargos, não na garantia

É a recomendação mais útil que podemos fazer a um técnico municipal. Um caderno de encargos que só especifica equipamentos e potência obtém pontos instalados. Um que especifica disponibilidade mínima comprometida, prazo de resposta e relatório periódico obtém uma rede que funciona ao fim de três anos.

A diferença de custo entre os dois é pequena. A diferença de resultado é toda.

Manutenção com níveis de serviço

Interoperabilidade, ou a rede só é usada por quem é daqui

Uma rede municipal fechada é usada pelos residentes que se inscreveram. Uma interoperável é usada por qualquer pessoa que passe pelo município com a sua aplicação habitual, turismo incluído. Para uma rede pública, exigir interoperabilidade no caderno de encargos é o que separa uma infraestrutura usada de uma meramente simbólica.

Como trabalhamos com uma administração

Antes do caderno de encargos podemos dar o estudo técnico prévio: que potência há disponível em cada localização candidata, o que é viável, com que prazos e com que investimento. É informação que ajuda a redigir um caderno de encargos realista e que evita pôr a concurso algo que a rede não admite.

Durante o concurso concorremos com a solução completa: instalação, operação e manutenção com disponibilidade comprometida.

E depois, o que importa: relatório periódico de disponibilidade por ponto, que é o que permite ao município demonstrar que o investimento funciona.

Se o município tem ou vai ter zona de baixas emissões, a infraestrutura de carregamento faz parte de a tornar viável: restringir o acesso aos veículos mais poluentes sem oferecer onde carregar os limpos deixa a medida coxa.

O que tem de se cumprir e o que pode financiar

Ocupação de domínio público

A instalação na via pública exige o título habilitante correspondente e a articulação com os serviços municipais. O título não costuma ser uma licença mas uma concessão de domínio público: um poste fixo na rua é uso privativo do domínio público, e isso sujeita-o aos artigos 78.º e seguintes do Regulamento espanhol de Bens das Entidades Locais. Na prática adjudica-se por concurso, com o seu caderno de encargos, o seu prazo e a sua taxa, pelo que convém planeá-lo com essa antecedência e não como uma formalidade de obra.

Legalização

Registo da instalação junto da região.

Apoios

Os concursos do Plano MOVES consideraram as autarquias locais como beneficiárias para infraestrutura de acesso público. Convém saber que esse programa já não está aberto: o MOVES III deixou de aceitar candidaturas a 31 de dezembro de 2025 e o Programa Auto+ que o substitui subsidia apenas a compra do veículo, não a instalação. A única linha estatal que financia infraestrutura, o MOVES Corredores de Recarga, dirige-se a operadores de carregamento de acesso público junto a troços de estrada e o seu primeiro concurso encerrou a 10 de fevereiro de 2026. Para uma instalação própria, hoje há que consultar os concursos das comunidades autónomas, que nem abrem ao mesmo tempo nem cobrem o mesmo.

Como trabalhamos

Em contratação pública, o estudo técnico prévio pode ser entregue antes da redação do caderno de encargos.

  1. Estudo técnico · sem custo

    Visitamos o local, medimos a potência disponível na ligação e definimos que solução encaixa. Sem compromisso.

  2. Proposta e dimensionamento

    Dimensionamos para o que vai precisar daqui a cinco anos, não para o que precisa hoje. Ampliar depois custa mais do que prevê-lo agora.

  3. Tramitação

    Memória técnica ou projeto, legalização perante a administração e gestão com o operador de rede se for preciso aumentar a potência. Tratamos nós.

  4. Execução

    Obra, montagem e ensaios de carga reais com veículo.

  5. Colocação em serviço

    Configuração de tarifários e permissões de acesso, registo na plataforma de gestão e entrega da documentação completa. A partir daqui a rede está operacional e monitorizada.

Instalamos para ficar

No dia do arranque tudo funciona. O problema aparece depois: cai a ligação, um utilizador força o conector, o firmware fica para trás, muda o tarifário elétrico e ninguém ajusta os preços.

Por isso monitorizamos cada ponto que instalamos e respondemos a qualquer incidente sem esperar que nos ligue.

Perguntas frequentes

Podem ajudar-nos a redigir o caderno de encargos?

Podemos dar o estudo técnico prévio: potência disponível em cada localização candidata, viabilidade, prazos e investimento estimado. É informação objetiva que ajuda a redigir um caderno de encargos realista. A redação do caderno de encargos compete à entidade adjudicante.

O que deveria um caderno de encargos exigir além dos equipamentos?

Disponibilidade mínima comprometida por ponto, prazo máximo de resposta perante uma ocorrência, relatório periódico de disponibilidade e interoperabilidade com outras plataformas. Sem esses quatro pontos, o contrato garante postos instalados mas não uma rede que funcione.

Quem cobra ao cidadão?

O carregamento é cobrado através da plataforma no momento da sessão, com o preço visível antes de começar, e o município recebe a liquidação com o detalhe. Não há gestão de cobrança para a autarquia.

O que se faz aos pontos que já temos instalados e não funcionam?

Pode assumir-se uma rede existente. Começamos com uma auditoria do estado: inventário, versões de firmware, comunicação, proteções e conectores. Com esse relatório sabe-se o que há que reparar antes de se poder comprometer uma disponibilidade.

Serve para a frota municipal além de para o cidadão?

Sim, e costumam ser dois projetos que convém colocar em conjunto: a frota carrega em instalações municipais durante a noite e os pontos da via pública dão serviço ao cidadão de dia. A mesma infraestrutura de gestão cobre os dois.

Os vossos postos de carregamento continuam a funcionar?

Estudo técnico sem custo, também para redes já instaladas. Dizemos-vos o que há, em que estado está e o que seria preciso para comprometer uma disponibilidade real.

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